Soulmates Never Die

É, Papai Noel vai ter que ganhar na Mega Sena para me dar de presente todos os DVDs que eu queria ganhar nesse Natal. Um deles é esse do Placebo, Soulmates Never Die, que contém o registro de um show da turnê homônima realizado em Paris no ano passado e um documentário estilo “Director’s Cut” com imagens de bastidores, estrada e entrevistas.
Antes de começar a falar sobre, preciso confessar que comecei pelo fim. A primeira coisa que fiz, ao olhar a capa do DVD e ler “Where’s My Mind”, foi pular direto pra última faixa para conferir o cover dos Pixies. E eis que tenho uma bela surpresa: não se tratava só de um cover, mas sim de Brian Molko convidando Mr. Frank (pig) Black para tocar a música. Sensacional.
De volta ao menu, hora de assistir todo o material. Outra ótima surpresa. Tecnicamente impecável, com fotografia perfeita, registro em filme, superprodução, super gruas, luzes psicodélicas irretocáveis, poucos tons, cortes e montagem impecáveis, abuso de freezings e subliminares, Soulmates Never Die inclui todos os hits do grupo com coro de mais de 10 mil vozes em uma hora e quarenta minutos de show. É o que acontece por exemplo em "Every You Every Me", música incluida na trilha sonora do filme Segundas Intenções.
Ao vivo, o Placebo soa muito menos “fofinho” do que em disco, bem mais agressivo, pesado, barulhento e post-glam, absolutamente atualizado. Brian Molko dândi, maquiadíssimo, de olhos pretos e unhas pintadas é o centro das atenções nos momentos em que o público não é mostrado em takes detalhistas com closes de rostos e mãos.
Momentos raivosos, como em Black Eye, são mesclados com outros de delicadeza e pungência peculiares, a exemplo de I’ll be yours e Peeping Tom, em que Brian Molko toca piano para uma platéia em que não se identificam pessoas em particular e se vê apenas um mundo de mãos à contraluz. No meio de tudo, a sugestiva "Special K", em que ele canta: “You come on just like special K / Just like I swallowed half my stash / I never ever want to crash / No hesitation, no delay / You come on just like special K / Now you're back with dope demand / I'm on sinking sand”.
Vinte músicas depois, a banda sai do palco deixando claro que volta para o bis, quando é executada Centerfolds, uma das mais belas canções do último disco do grupo, Sleeping With Ghosts. Outro momento cortante, que é rapidamente interrompido quando Frank Black é chamado, e junto com o Placebo toca Where’s My Mind. Final catártico, emocionante.
No documentário, fazendo contraponto total com o inacreditável público do show da França, a banda fala da expectativa de tocar para pouco mais de 600 pessoas num muquifo nos Estados Unidos, entre outras amenidades. No mais, passagens de som, fanatismo inexplicável e inesperado na Cidade do México, viagens, aviões e bastidores. Não é a invenção da roda, mas é bem intencionado, muito bem editado e, apesar de curto, é um bom complemento para o show.

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