Punka 2004

The Honkers, um dos melhores shows do festival (Foto de Dolly)
Impressionante a organização do Punka. Ótimo espaço, ótimas bandas, bom público (especialmente no segundo dia, boa parte em função dos headliners Los Hermanos). O evento provou que é possível fazer um festival com boas bandas nordestinas, mesmo que não tenha sido possível contemplar todos os estados. A cena recifense indie pós-mangue foi representada pela Vamoz!, que fez um dos melhores shows do festival, junto com on Honkers e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta no segundo dia, e Eloqüentes e Triste Fim de Rosilene no primeiro.
O que não faltou, aliás, foi apoio moral às bandas baianas. Uma comitiva de umas 40 pessoas de Salvador marcou presença no Punka. Foram jornalistas, músicos (Los Canos, A Grande Abóbora, Soma) e fãs que além de conferirem a bela performance de Ronei e dos Honkers, também reclamou em uníssimo por Salvador não ter nada nem parecido. Os Honkers fizeram o primeiro show com Bruno Carvalho assumindo as guitarras no lugar de PJ, e o público, formado em sua esmagadora maioria por adolescentes, foi ao delírio com a performance poser/exagerada/ensandecida/rock'n'roll de Rodrigo Chagas, que encarna o espírito do gênero musical mais politicamente incorreto do mundo como ninguém.
Apesar de não ter bebido água na bota nem ficado nu, ele subiu nos PAs do lado do palco e conseguiu tomar uma queda, ao dar um pulo e quebrar um pedaço do palco, que ficou com um buraco até o fim do show da banda, quando dois pratos quase foram destruídos num momento catártico e barulhento que marocu o fim da apresentação. Não foi à toa que Rodrigo deu até autógrafos no stand onde estavam sendo vendidos como água camisa e CDs da banda.
Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta também foram unanimidade, com um show impecável como sempre, que colheu elogios de Amarante e companhia "hermanística". Todo elogio que se faça à banda é pouco. Uma pena que eles não estejam tocando pra grandes públicos ainda, ou que as músicas não estejam tocando nas melhores rádios do país. Prefiro acreditar que é uma questão de tempo.
A veterana local Snooze veio logo depois, excelente pedida pra quem curte indie rock, noise, guitarrerias e melodia. Os caras estão com um single novo na praça, e depois de 10 anos ainda têm fôlego para fazer rock e tocar muito. Ótimo show.
Los Hermanos fecharam o festival com um show com repertório que mesclou músicas os 3 discos, com ênfase em Ventura, é claro, e no Bloco do Eu Sozinho. Um pouco burocrático, disseram alguns, mas provocando a já esperada comoção coletiva, com fãs alucinados cantabndo todas as músicas, sem exceção. Los Hermanos virou religião, pensei eu (o que se confirmou ao assistir o show de Salvador no domingo).
No primeiro dia, as bandas de HC deram o tom, com exceção da Eloqüentes, que mostrou um som com influências brit pop que lembrou um pouco a Brinde. Destaque para Triste Fim de Rosilene, formada por um pessoal bem novinho e uma vocalista mulher que impressionou a todos que assistiram o show.
Enfim, saldo super positivo, vontade de fazer algo parecido acontecer em Salvador, e ótimas impressões da educação e receptividade do povo sergipano, principalmente do pessoal da Nordeste Independente que estava por lá.
Mais informações e fotos em:
http://eittanoise.blogspot.com/ (do amigo Aldemi. Valeu por tudo!)
www.fotolog.net/eittanoise
www.fotolog.net/teenage_idol
www.fotolog.net/thehonkers
* Post originalmente publicado no dia 26 de outubro

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