R.I.P, Carandiru

O Prisioneiro da Grade de Ferro
Este documentário é fruto de uma experiência bastante interessante, e me chamou a atenção particularmente por ter sido lançado no mesmo ano em que fiz o meu vídeo na Penitenciária Lemos Brito. O diretor Paulo Sacramento organizou oficinas de vídeo para que os detentos aprendessem a manipular os equipamentos de captação e depois disponibilizou câmeras que os presos usaram durante sete meses para registrar o cotidiano do mítico maior presídio da América Latina.
O filme foi montado com o material captado pelos detentos e abre espaço para uma discussão essencial no documentário, que diz respeito às possibilidades/necessidades de imersão, e da interferência no conteúdo das equipes de filmagens em ambientes que, a priori (ou idealisticamente), deveriam ser registrados em sua essência. Prisioneiro da Grade de Ferro também abre espaço para uma outra discussão – essa mais evidente, de cunho social e político – sobre as condições do sistema carcerário brasileiro e as dificuldades da vida no cárcere, e é um tijolo a mais na construção da imagem do Carandiru no imaginário coletivo. A seqüência de abertura que mostra as imagens da implosão do presídio em reverse impressiona.

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