Doc guide
Resenhas rápidas de alguns documentários interessantes que assisti recentemente.

Nos Braços de Estranhos – Histórias do Kindertransport (Into the Arms of Strangers: Stories of the Kindertransport, 1999)
Este filme dirigido por Mark Jonathan Harris tem narração de Judi Dench e se assemelha a O Longo Caminho Para Casa não só pela temática em comum, o nazismo, mas pela opção pela forma de documentário tradicional e didático – o que a narração com voice over só corrobora. O filme é tocante em vários momentos, principalmente quando assistimos depoimentos de alguns dos pais adotivos das crianças que foram deportadas (pouquíssimos estão vivos. Se grande parte das então crianças já morreu, imagine essas famílias que as adotaram). Uma das coisas mais interessantes da obra de Harris é chamar a atenção para o fato de que a mudança das crianças para a Inglaterra e a libertação dos judeus dos campos de concentração salvou a vida de milhares de pessoas mas, por outro lado, para grande parte das vítimas os percalços estavam apenas recomeçando. A contribuição maior dos dois filmes é desfazer a idéia de que a libertação catártica nos dois âmbitos representou o passaporte para a felicidade, e mostrar em que circunstâncias essas pessoas continuaram vivas. Ah, é monótono, e as imagens de arquivo utilizadas se repetem muitas vezes. Na verdade fiquei me perguntando se algumas das imagens do filme são reconstruções, ou se todas são originais da época. Assista quando acordar, de preferência depois de uma noite de sono de 12 horas bem dormidas.

O Longo Caminho Para Casa (The Long Way Home, 1997)
Também de Mark Jonathan Harris, desta vez com narração de Morgan Freeman e apresentação do rabino (ou será Rabino?) Henry Sobel. Parte de uma pesquisa de imagens de arquivo apurada para contar as histórias de sobreviventes judeus que deixaram os campos de refugiados entre 1945 e 1948 e foram para Israel. O filme toca em questões polêmicas, como a fundação do Estado de Israel, e mostra o desembarque de milhares de pessoas que chegaram à terra prometida amontoadas em navios. Depois de tudo o que passam nos campos de concentração, a chegada à Israel que se transforma numa redenção simbólica no imaginário dos ex prisioneiros, só que esta redenção não vem da maneira como se imaginava. O Longo Caminho Para Casa foi o ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 1998.

Memórias em Super-8 (Super 8 Stories, 2001)
Documentário musical clássico de Kusturica que registrou a turnê européia da sua própria banda, The No Smoking Orchestra, em 200 horas de material bruto. Um dos momentos mais curiosos é a participação do Clash Joe Strummer num show da banda em Paris, salvo engano. Além de possibilitar a observação de como se processam as relações entre os integrantes da banda – o que para mim pelo menos é bastante interessante, Memórias em Super-8 tem um valor inestimável ao nos permitir conhecer um pouco mais da tradição musical e da cultura popular dos balcãs. A banda mistura rock à música folclórica tradicional do leste europeu, e através de histórias como a do tocador de tuba que começou a carreira ainda criança acompanhando cortejos fúnebres, o filme nos mostra como por aqueles lados o domínio de instrumentos que em outros lugares são considerados eruditos faz parte da formação musical dos indivíduos desde cedo. Outra curiosidade é o tamanho da banda, que tem cinco integrantes oficiais e outros seis músicos convidados que tocam, além da tuba, sax, acordeon, violino e percussão. The No Smoking Orchestra existe desde 1980.
Em breve alguns documentários pop:
Na Captura dos Friedman
O Prisioneiro da Grade de Ferro
Notícias de Uma Guerra Particular
Cabra Marcado Para Morrer e
Nós Que Aqui Estamos, Pór Vós Esperamos
Fé (bem menos conhecido, é a exceção)

Nos Braços de Estranhos – Histórias do Kindertransport (Into the Arms of Strangers: Stories of the Kindertransport, 1999)
Este filme dirigido por Mark Jonathan Harris tem narração de Judi Dench e se assemelha a O Longo Caminho Para Casa não só pela temática em comum, o nazismo, mas pela opção pela forma de documentário tradicional e didático – o que a narração com voice over só corrobora. O filme é tocante em vários momentos, principalmente quando assistimos depoimentos de alguns dos pais adotivos das crianças que foram deportadas (pouquíssimos estão vivos. Se grande parte das então crianças já morreu, imagine essas famílias que as adotaram). Uma das coisas mais interessantes da obra de Harris é chamar a atenção para o fato de que a mudança das crianças para a Inglaterra e a libertação dos judeus dos campos de concentração salvou a vida de milhares de pessoas mas, por outro lado, para grande parte das vítimas os percalços estavam apenas recomeçando. A contribuição maior dos dois filmes é desfazer a idéia de que a libertação catártica nos dois âmbitos representou o passaporte para a felicidade, e mostrar em que circunstâncias essas pessoas continuaram vivas. Ah, é monótono, e as imagens de arquivo utilizadas se repetem muitas vezes. Na verdade fiquei me perguntando se algumas das imagens do filme são reconstruções, ou se todas são originais da época. Assista quando acordar, de preferência depois de uma noite de sono de 12 horas bem dormidas.

O Longo Caminho Para Casa (The Long Way Home, 1997)
Também de Mark Jonathan Harris, desta vez com narração de Morgan Freeman e apresentação do rabino (ou será Rabino?) Henry Sobel. Parte de uma pesquisa de imagens de arquivo apurada para contar as histórias de sobreviventes judeus que deixaram os campos de refugiados entre 1945 e 1948 e foram para Israel. O filme toca em questões polêmicas, como a fundação do Estado de Israel, e mostra o desembarque de milhares de pessoas que chegaram à terra prometida amontoadas em navios. Depois de tudo o que passam nos campos de concentração, a chegada à Israel que se transforma numa redenção simbólica no imaginário dos ex prisioneiros, só que esta redenção não vem da maneira como se imaginava. O Longo Caminho Para Casa foi o ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 1998.

Memórias em Super-8 (Super 8 Stories, 2001)
Documentário musical clássico de Kusturica que registrou a turnê européia da sua própria banda, The No Smoking Orchestra, em 200 horas de material bruto. Um dos momentos mais curiosos é a participação do Clash Joe Strummer num show da banda em Paris, salvo engano. Além de possibilitar a observação de como se processam as relações entre os integrantes da banda – o que para mim pelo menos é bastante interessante, Memórias em Super-8 tem um valor inestimável ao nos permitir conhecer um pouco mais da tradição musical e da cultura popular dos balcãs. A banda mistura rock à música folclórica tradicional do leste europeu, e através de histórias como a do tocador de tuba que começou a carreira ainda criança acompanhando cortejos fúnebres, o filme nos mostra como por aqueles lados o domínio de instrumentos que em outros lugares são considerados eruditos faz parte da formação musical dos indivíduos desde cedo. Outra curiosidade é o tamanho da banda, que tem cinco integrantes oficiais e outros seis músicos convidados que tocam, além da tuba, sax, acordeon, violino e percussão. The No Smoking Orchestra existe desde 1980.
Em breve alguns documentários pop:
Na Captura dos Friedman
O Prisioneiro da Grade de Ferro
Notícias de Uma Guerra Particular
Cabra Marcado Para Morrer e
Nós Que Aqui Estamos, Pór Vós Esperamos
Fé (bem menos conhecido, é a exceção)

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