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Três dias e algumas horas em Salvador desde 18 de agosto. Há pouco mais de um mês eu passeio por Salvador por algumas horas (somente algumas mesmo. Cheguei às 18h do Rio e viajo novamente amanhã de manhã. Pelo menos essa viagem é bem curtinha, para Correntina).
Curaçá e Uauá, meus últimos destinos na Bahia, mereceriam atenção especial até, se a viagem para o Rio não tivesse sido marcada por tantas ótimas surpresas. Essas duas cidades, que ficam no extremo norte e norte do estado (sertão dos mais brabos!), são classificadas como parte do semi árido nordestino. Se aquilo é semi árido, eu não consigo imaginar, nem no auge da minha capacidade de abstração, o que pode ser árido para quem estabelece essas classificações. Só pode ser do Saara para pior.
Lá as pessoas não têm cachorros, têm bodes e cabras de estimação. Eles estão em todos os lugares – nas ruas, nas casas, onde ganham até nomes às vezes, e principalmente nas panelas. Quase não há gado bovino lá, porque os animais não sobrevivem. A exceção são os bodes e as pessoas, salvas por comerem os pobres coitados. Não há estradas de asfalto para chegar nessas cidades. Existem umas BRs “de chão”, como dizem pelo interior, quando a estrada é de barro. Eu nem sabia que existiam estradas federais não asfaltadas.
Para chegar lá, fomos de avião até Recife, de lá para Petrolina também de avião, e então para Curaçá numa viagem de aproximadamente duas horas de carro. Os municípios são enormes e muito pouco habitados, o que faz com que o deslocamento até os povoados seja um castigo. Em Patamuté, onde existe uma gruta aberta à visitação que recebe romaria três vezes por ano, há um único telefone público que estava quebrado no dia em que estivemos lá. Quem chega até o povoado nem precisa pagar promessa mais nenhuma. A viagem é um calvário que qualquer santo vai reconhecer.
Se eu resolvesse escrever sobre tudo de lindo, tocante, absurdo, miserável e poético que encontro por ai por esse interior da Bahia, esse blog viraria um diário de bordo. Só o tanto de pores-do-sol (existe isso?) que assisti voltando das externas já seria inspiração suficiente, mas nem as fotografias que tiro aos montes dão conta de transportar para outro lugar, que não seja a minha memória, o que sinto ao ver aquela imagem depois de 10 ou 12 horas de trabalho, em lugares onde talvez o único privilégio que se tem quando se vive lá seja justamente poder ver esse pôr-do-sol a partir de qualquer lugar que se olhe. Não, não bato palmas. Calma. Não sou riponga, nem bato palmas para o pôr-do-sol no Porto da Barra sexta depois de fumar um (uns).
O fato é que girar 360º olhando em qualquer direção e conseguir ver o céu (e só ele e alguma vegetação), é uma das melhores coisas que o meu trabalho me proporciona. É óbvio que eu preferiria não precisar ir tão longe para isso, mas são os ossos do ofício. Divagações que não interessam a ninguém à parte, no próximo post o assunto é música.
Curaçá e Uauá, meus últimos destinos na Bahia, mereceriam atenção especial até, se a viagem para o Rio não tivesse sido marcada por tantas ótimas surpresas. Essas duas cidades, que ficam no extremo norte e norte do estado (sertão dos mais brabos!), são classificadas como parte do semi árido nordestino. Se aquilo é semi árido, eu não consigo imaginar, nem no auge da minha capacidade de abstração, o que pode ser árido para quem estabelece essas classificações. Só pode ser do Saara para pior.
Lá as pessoas não têm cachorros, têm bodes e cabras de estimação. Eles estão em todos os lugares – nas ruas, nas casas, onde ganham até nomes às vezes, e principalmente nas panelas. Quase não há gado bovino lá, porque os animais não sobrevivem. A exceção são os bodes e as pessoas, salvas por comerem os pobres coitados. Não há estradas de asfalto para chegar nessas cidades. Existem umas BRs “de chão”, como dizem pelo interior, quando a estrada é de barro. Eu nem sabia que existiam estradas federais não asfaltadas.
Para chegar lá, fomos de avião até Recife, de lá para Petrolina também de avião, e então para Curaçá numa viagem de aproximadamente duas horas de carro. Os municípios são enormes e muito pouco habitados, o que faz com que o deslocamento até os povoados seja um castigo. Em Patamuté, onde existe uma gruta aberta à visitação que recebe romaria três vezes por ano, há um único telefone público que estava quebrado no dia em que estivemos lá. Quem chega até o povoado nem precisa pagar promessa mais nenhuma. A viagem é um calvário que qualquer santo vai reconhecer.
Se eu resolvesse escrever sobre tudo de lindo, tocante, absurdo, miserável e poético que encontro por ai por esse interior da Bahia, esse blog viraria um diário de bordo. Só o tanto de pores-do-sol (existe isso?) que assisti voltando das externas já seria inspiração suficiente, mas nem as fotografias que tiro aos montes dão conta de transportar para outro lugar, que não seja a minha memória, o que sinto ao ver aquela imagem depois de 10 ou 12 horas de trabalho, em lugares onde talvez o único privilégio que se tem quando se vive lá seja justamente poder ver esse pôr-do-sol a partir de qualquer lugar que se olhe. Não, não bato palmas. Calma. Não sou riponga, nem bato palmas para o pôr-do-sol no Porto da Barra sexta depois de fumar um (uns).
O fato é que girar 360º olhando em qualquer direção e conseguir ver o céu (e só ele e alguma vegetação), é uma das melhores coisas que o meu trabalho me proporciona. É óbvio que eu preferiria não precisar ir tão longe para isso, mas são os ossos do ofício. Divagações que não interessam a ninguém à parte, no próximo post o assunto é música.

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